Ainda é tempo
a voz presa na garganta
os gestos de nada valem
nem o punhal na mão
reluz, porque é dia
de chuva
dispersos estamos todos
com a voz presa na garganta
não é medo, é desencanto
todo canto travado no peito
e a voz silenciosa
aninha os nervos, os músculos.
é preciso tornar-se humano
deixar o grito denunciar:
indiferentes estamos todos
sabemos: a carne, os ossos
serão poeira
a voz tem registro no eco
da vida
no papel escrito
o comando da voz
é alerta
ainda é tempo
ainda
(do livro “Poesia do Brasil – volume 13”, Proyecto
Cultural Sur/ Brasil)
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