segunda-feira, 3 de junho de 2013

De profundis - Georg Trakl

De profundis


Há um restolhal, onde cai uma chuva negra.

Há uma árvore marrom, ali solitária.

Há um vento sibilante, que rodeia cabanas vazias.

Como é triste o entardecer.


Passando pela aldeia

A terna órfã recolhe ainda raras espigas.

Seus olhos arregalam-se redondos e dourados no crepúsculo,

E seu colo aguarda o noivo divino.


Na volta

Os pastores acharam o doce corpo

Apodrecido no espinheiro.

 
Sou uma sombra distante de lugarejos escuros.

O silêncio de Deus

Bebi na fonte do bosque.


Na minha testa pisa metal frio

Aranhas procuram meu coração.

Há uma luz, que se apaga na minha boca.


À noite encontrei-me num pântano,

Pleno de lixo e pó das estrelas.

Na avelãzeira

Soaram de novo anjos cristalinos.

 


De profundis



Es ist ein Stoppelfeld, in das ein schwarzer Regen fällt,

Es ist ein brauner Baum, der einsam dasteht.

Es ist ein Zischelwind, der leere Hütten umkreist.

Wie traurig dieser Abend.


Am Weiler vorbei

Sammelt die sanfte Waise noch spärliche Ähren ein.

Ihre Augen weiden rund und goldig in der Dämmerung,

Und ihr Schoss harrt des himmlischen Bräutigams.


Bei der Heimkehr

Fanden die Hirten den süssen Leib

Verwest im Dornenbusch.

 
Ein Schatten bin ich ferne finsteren Dörfern.

Gottes Schweigen

Trank ich aus dem Brunnen des Hains.


Auf meine Stirne tritt kaltes Metall

Spinnen suchen mein Herz.

Es ist ein Licht, das in meinem Mund erlöscht.

 
Nachts fand ich mich auf einer Heide,

Starrend von Unrat und Staub der Sterne.

Im Haselgebüsch

Klangen wieder kristallne Engel.


(do livro "De profundis", Editora Illuminuras)


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